O envelhecimento é um processo natural, poderoso e vitalício e pode unir todos nós; é preciso repensar isso!
Já fui criança, me tornei jovem, depois moço e agora sou chamado de… senhor! Tenho 52 anos e ainda não me acostumei quando me chamam dessa forma. E o que será que vem depois disto? Oficialmente, estou perto de ser considerado idoso, mas muito longe de me sentir velho. Não sei se em breve estarei na terceira ou na quarta idade, mas tenho certeza de que estou usufruindo da minha melhor idade e atual feliz idade: hoje.
Como diz a escritora Ashton Applewhite, autora do livro This Chair Rocks: A Manifesto Against Ageism, o “envelhecimento não é uma doença. É um processo natural, poderoso, vitalício e que une todos nós”. Aos 69 anos, ela estimula a mobilização contra o etarismo (preconceito etário): “Nós temos vergonha do nosso envelhecimento. Defendo que as pessoas formem grupos e falem sobre isso. Que criem uma rede de suporte para apoiar uns aos outros”.
O fato de o envelhecimento continuar sendo representado sob a forma de perdas, faz com que muitas capacidades que as pessoas idosas possuem permaneçam ocultas e seus benefícios não sejam devidamente valorizados.
Célia Pereira Caldas, pós-doutora em Gerontologia pela USP e pela Universidade de Jönköping, na Suécia, ressalta a importância da implementação de ações que não apenas interfiram em aspectos relacionados à saúde, mas permitam o combate ao preconceito, incentivem as virtudes desta faixa etária e promovam a sua inserção de forma adequada na sociedade.
Para a especialista, deve-se buscar a quebra do paradigma do envelhecimento objetivado na figura de velho vinculado a doenças, inútil e limitado; o novo conceito deve estar ancorado na representação de idoso capaz, o qual vem associado a representações positivas, independência e ânsia por viver. De acordo com ela, faz-se necessária, também, uma mudança na conscientização, via ações educacionais. No ambiente familiar, o suporte e o convívio com os entes queridos são entendidos como fatores primordiais para o desenvolvimento de um envelhecimento saudável e devem ser incentivados pela sua participação ativa na vida cotidiana. No mundo corporativo, por sua vez, é necessário demonstrar os benefícios do conhecimento acumulado, do networking poderoso e das valiosas experiências adquiridas durante o decorrer da vida deste profissional.
Este processo já foi iniciado de alguma forma na Itália; país que mudou a definição de idoso para 75 anos. O número não é aleatório e sim baseado em dez anos antes da expectativa de vida. Segundo os diretores da Sociedade Italiana de Gerontologia e Geriatria, uma pessoa com 60 anos nos dias de hoje possui funções cognitivas e físicas semelhantes às de uma de 40 anos no final do século passado.
Segundo estudo da Universidade de Washington, que coletou dados de 195 países, em 2040 a Itália terá a sexta maior expectativa de vida do mundo, com 84,5 anos. Perderá apenas para Espanha (85,8 anos), Japão (85,7 anos), Cingapura (85,4 anos), Suíça (85,2 anos) e Portugal (84,5 anos). Na pesquisa, o Brasil ocupa o 82º lugar no ranking, com 78,5 anos. Os pesquisadores analisaram o comportamento de mais de 3.800 “semi-supercentenários” italianos, que viveram pelo menos até os 105 anos, e de mais de 9.800 pessoas que alcançaram a mesma longevidade na França.
Neste sentido, deixo uma pergunta: quando uma pessoa deve ser considerada idosa, aos 60, 75 ou 120 anos?
E você, como gostaria de ser chamado após os 60 anos?
Como diria James Bond, sou Wainstock. Mauro Wainstock. Simples assim.
Sou um privilegiado por já ter ultrapassado meio século de vida e tento desvendar com muita ação os desafios diários para chegar a ser centenário.
Concordo com o gerontólogo Alexandre Kalache, de 75 anos, presidente do International Longevity Centre Brazil e diretor da Age Friendly Foundation, que diz: “É preciso encarar o envelhecimento como uma celebração da sabedoria”.
Está pronto para comemorar? Vamos juntos?
FONTE: https://exame.com/bussola/mauro-wainstock-que-idade-define-o-que-e-ser-idoso-60-75-ou-120-anos/